Nota introdutiva
O convento de São Domingos do Porto foi abandonado, espoliado, demolido e esquecido pela cidade que o viu nascer e que ele ajudou a crescer; numa ingratidão cuja indiferença com que nos meados do século XIX se tratavam os nossos monumentos só até certo ponto poderá atenuar.
Movido do gosto pela história da minha cidade e com a intenção de melhor conhecer aquela instituição, num primeiro momento procurei ler tudo o que sobre ela se havia publicado. Porém, não satisfeito com o que averiguei por essa via, embrenhei-me numa busca por vários arquivos tomando assim conhecimento de bastante mais informação. Neste particular pode constatar que muitos documentos mantém-se ainda inéditos, tendo até oportunidade de, aqui e ali, verificar alguns erros que circulam em textos mais generalistas.
Já com o objetivo (o sonho...) de preparar e publicar um trabalho o mais completo possível sobre este convento e o espaço urbano que ele ocupou, tenho vindo a trabalhar essa mesma informação, ainda que de forma intermitente e sem grande esperança que tal obra venha a conhecer a luz do dia.
Por tudo isso e no intuito de divulgar alguns documentos e outras informações com as quais me vou deparando, decidi criar este blog por forma a garantir que pelo menos parte dessas memórias são dadas a conhecer.
Faço votos para que os apaixonados por história como eu se encontrem diante de uma leitura agradável, prazerosa e didática, tendo em conta a especificidade do tema. Assim como aguardo a vossa indicação dos erros que o texto possa incluir, por forma a torná-lo o mais limpo possível de inexactidões.
Finalizo com um excerto de Carlos de Passos na sua obra Lembranças da terra no capítulo dedicado a este convento, onde o autor realça o esquecimento ao qual a cidade rapidamente o votou logo após a sua demolição: «Embora tantos sucessos de monta por lá desenrolados e a sua ancianidade, não houve acanhamento em reduzir tudo a chão raso, como se não bastasse a ingratidão dos pósteros esquecendo facilmente o que melhor se devia guardar. De tudo subsiste apenas o chamadoiro do local. Mas quantos há que saibam a fonte dessa toponímia?»